Caros colegas,

Meus encontros com Winnicott sempre se deram no contexto da minha formação e prática como psicanalista, não como winnicottiano, ou ‘psicanalista winnicottiano’. E digo isso, embora minha principal análise pessoal tenha sido feita com um dos poucos didatas da SBPSP desde há muitos anos bastante identificado com o pensamento winnicottiano (mas nada dogmático e muito bem informado sobre as obras de outros autores pouco lembrados na psicanálise brasileira da época, como Fairbairn, além de familiarizado com as obras de Klein e Bion, com quem chegara a fazer supervisão).

Esta afirmação poderia ser considerada supérflua e até estranha se não houvesse surgido há algum tempo, principalmente no Brasil, a ideia de que é possível destacar Donald Winnicott da história e do contexto da psicanálise, suas teorias e suas práticas. Como se fosse possível estudar Winnicott sem estudar toda a psicanálise que se fez desde Freud, incluindo Melanie Klein e Jacques Lacan, entre outros, e que se continuou fazendo até os dias atuais, já agora incorporando Winnicott entre seus grandes autores, posição que ele ocupa, ao lado de outro importante contemporâneo seu, Wilfred Bion, em boa parte dos autores atuais, como André Green, Antonino Ferro, Christopher Bollas, René Roussillon, etc.. Como se fosse possível colocar Winnicott na contramão do movimento psicanalítico e não como parte extremamente original deste movimento.

Estou também entre aqueles que não apenas insistem na inserção de Winnicott no campo da psicanálise freudo-ferencziana – assinalando a forte presença da matriz clínica nascida com Ferenczi e herdada diretamente por Michael Balint na obra de Winnicott – como admitem que, assim como não há uma única interpretação de Freud, não há uma única interpretação de Klein, de Lacan, de Bion e…de Winnicott. Acho que alguns ‘winicottianos’, embora admitam que há diversas maneiras de ler e se apropriar de outros autores, na hora de falar de Winnicott pretendem a exclusividade. Aqui o problema não é só na esfera da psicanálise, mas de hermenêutica…

Os diversos textos que escrevi a partir de minhas leituras de Winnicott, muitos dos quais sob a encomenda de organizadores de Encontros Latino Americanos sobre o pensamento de D. W. Winnicott em São Paulo e no Rio de Janeiro, e dos editores da Revista Brasileira de Psicanálise (RBP) para um número dedicado a ele, marcam sempre minha transferência com a psicanálise e com o psicanalista Donald Winnicott, principalmente em sua pertinência à clínica ferencziana e, neste contexto, sua proximidade com a obra paralela de Michael Balint.

Até o momento, foram cinco artigos ou capítulos de livro: “A tradição ferencziana de Donald Winnicott: apontamentos sobre regressão e regressão terapêutica” (RBP 2002); “Being myself and behaving myself. Implicação e reserva na clínica de Winnicott” (Tempo Psicanalítico, 2004); “A lógica paradoxal na teoria e na prática da psicanálise. Ressonâncias” (Livro Winnicott, Ressonâncias, 2012); “A matriz ferencziana de adoecimento psíquico: Balint e Winnicott” (RBP, 2017); este ano veio à luz, como capítulo do livro em que foram publicados textos apresentados no Encontro Latino Americano sobre Winnicott realizado no Rio, mais uma comunicação minha: “La matriz ferencziana de la enfermedad psíquica: la psicopatología psicoanalítica renovada en Balint y Winnicott”.

Além destes cinco trabalhos que focalizam aspectos do pensamento clínico e teórico de Winnicott, ele esteve muito presente em diversos outros trabalhos, especialmente os dedicados a uma teoria do cuidar e a uma teoria integrada da saúde como “A metapsicologia do cuidado” (Psyché, 2008) e “Cuidado e saúde, uma visão integrada” (ALTER, Revista de Psicanálise, 2011) e no livro Cuidado, saúde e cultura (2014). São trabalhos que levam o pensamento psicanalítico além das fronteiras tradicionais da clínica no sentido estrito. Nestas regiões de interface com a educação, a saúde e o trabalho em comunidade, as contribuições de Winnicott sempre me pareceram preciosas.

Também há uma forte presença de Winnicott nos estudos teórico-clínicos sobre esperança (“O paciente sem esperança”, em Psicanálise: elementos para a clínica contemporânea, 2003) e confiança (“Confiança: a experiência de confiar na clínica e na cultura”; RBP, 2008).

Sempre, como atestam todas estas publicações, aproveito dos ensinamentos de Winnicott mas nunca apenas para repeti-lo, mas para faze-lo trabalhar, junto a outros autores, na construção de um pensamento clínico complexo em torno de alguma questão que me pareça de relevância em meu trabalho como psicanalista dentro e fora dos enquadres clássicos.

Acredito que a psicanálise atual não pode dispensar Winnicott, mas muito perderia se não levasse em consideração seus antecessores, alguns de seus contemporâneos e inúmeros dos que vieram depois deles e neles se apoiam.

É com estas ideias em mente e este posicionamento que aceitei honrado o convite para participar do XIII Encontro Brasileiro sobre o pensamento de D. W. Winnicott e muito agradeço aos colegas por este convite e por mais esta oportunidade de expor minhas ideias.

São Paulo, março de 2018

Luís Claudio Figueiredo


Cara Denile,

As férias terminaram, e a vida continua. É momento de retornar ao trabalho e cumprir os combinados.

Estou enviando um breve histórico de minha trajetória profissional, centrando-me nas contribuições em relação a Winnicott, conforme você me pediu.

Fiz Formação psicanalítica no Sedes, e em 1985, fui convidado pelo instituto para me tornar professor no curso de Psicoterapia com Crianças, onde permaneço até os dias de hoje. Durante esse período, junto aos outros colegas, fizemos um longo trabalho de transformação do currículo e do corpo de professores, constituindo o que é hoje o Departamento de Psicanálise com Crianças, do qual fui coordenador nas duas primeiras gestões.

Desde então, participo de diversas instâncias do Sedes – fui membro do Conselho, do núcleo de Cursos, do núcleo de Departamentos, etc.

Sou uma pessoa que acredita na força e saúde dos grupos; neste sentido, sempre procurei formar e participar de grupos de confiança em torno de projetos e ideais comuns. Junto a eles, publiquei livros e artigos, participando e promovendo Cursos, Jornadas e Encontros.

No ano 1999, Magaly Marconatto Callia e eu fundamos o Espaço Potencial Winnicott (EPW). O EPW é um grupo inserido no Departamento de Psicanálise com Crianças, com regimento e funcionamento próprios, caracterizado como “Grupo de Estudo e Ação”. O EPW promove estudos teórico-clínicos, eventos, participação em Congressos, publicação de livros, artigos. É um grupo “fechado”, com um número limitado de vagas, composto de profissionais, psicólogos, médicos, fonoaudiólogos, mestres e doutores, com larga experiência clínica e trajetória no estudo da obra de Winnicott. O trabalho desenvolvido pelo EPW foi crescendo na Instituição, e hoje forma um núcleo composto por um Curso de Aperfeiçoamento, o Espaço Interlocuções e o EPW.

O Curso de Aperfeiçoamento em Winnicott teve sua primeira edição em 2000. Por muitos anos, Magaly e eu o administramos e coordenamos. Algum tempo depois, Suely Hisada foi parceira na coordenação, que, atualmente, divido com Sandra Tschiner. Trata-se de um curso dirigido a profissionais da área da saúde. Seu objetivo é percorrer, a partir de conceitos básicos acerca da transicionalidade, uma trajetória pela obra do autor desde o desenvolvimento emocional primitivo e a constituição do Self à vida cultural adulta compartilhada. Buscamos, ainda, oferecer subsídios para o aprimoramento da escrita como forma de refletir acerca dos conceitos teóricos e da prática clínica. Também damos aos alunos a oportunidade de participar de seminários clínicos e dos Encontros de Interlocuções.

O Espaço Interlocuções tem funcionamento e coordenação próprios. O objetivo é fazer interlocuções com profissionais do EPW e do Sedes com profissionais e instituições externas, aprofundando o estudo da obra de Winnicott. É um espaço aberto a todos os profissionais da área da saúde.

Em 2006, em parceria com a psicóloga de São José dos Campos, Teresa Elizete Gonçalves, sob minha coordenação e com professores convidados, inauguramos um espaço de estudos sobre a Obra de Winnicott: Winnicott no Vale. O curso e as supervisões regulares permitiram que os profissionais da região tivessem acesso e aprofundassem essa vertente de trabalho.

Em 2011, nosso grupo de trabalho foi convidado por profissionais a promover o curso de Winnicott em Brasília. Inicialmente, sob minha coordenação, e contando com o apoio de profissionais locais e professores convidados, inauguramos o Curso Winnicott em Brasília. Mais tarde, dividi a coordenação com Sandra Tschiner e Sandra Baccara. O suporte local foi feito por Pritama Bussulo e Amanda Slaviero. Atualmente, esse trabalho é desenvolvido por profissionais locais.

Em 2014, foi a vez de Salvador, BA. Desta feita, o convite partiu de profissionais da região organizados por Valdira Martins e Bethania. Coordenei por alguns anos o Curso Winnicott em Salvador, em parceria com Sueli Hisada.

A partir de 2015, na Escola de Magistrados de São Paulo, em parceria com o Desembargador Reinaldo Torres de Carvalho, venho coordenando uma equipe de professores com o intuito de desenvolvemos Cursos e Discussões de Situações de Trabalho sob a ótica de Winnicott. Essas atividades atendem aos servidores do Judiciário, magistrados, juízes, promotores, defensores públicos, psicólogos, assistentes sociais e auditores. O trabalho busca compreender as experiências humanas que podem favorecer a saúde e o desenvolvimento socioemocional, sendo abordados temas de interesse específico que possam auxiliar nas práticas do dia a dia desses profissionais, tais como: questões que surgem no processo de adoção; função materna e paterna; características da infância e da adolescência; ética profissional. Trata-se de um trabalho que tem sido acolhido com grande interesse pelos profissionais do Judiciário, sendo visto como um espaço de crescimento profissional, questionamento e aprimoramento das práticas e rotinas de trabalho.

Por fim, tenho muito a agradecer aos colegas que têm me acompanhado nos estudos da obra de Winnicott: José Outeiral (in memorian), Gilberto Safra, Ana Maria Sigal e Melanie Cupitz. E também aos professores que trabalharam e/ou ainda trabalham nos diversos cursos: Magaly Marconatto Callia (in memorian), Sandra Tschiner, Sueli Hisada, Tereza Marques de Oliveira, Wagner Ranna, Lygia Humberg, Claudia Perrotta, Lucila de Jesus Mello Gonçalves, Luciana Godoy, Tales Ab´Saber, Leopoldo Fulgêncio, Daniel Kuperman, Márcia Porto Ferreira, Sandra Baccara, e aos suportes locais, Tereza Elizete, Pritama, Amanda, Bethânia e Valdira. Um agradecimento muito especial a minha esposa, Irmgard Birmoser de Matos Ferreira, que sempre me apoiou e também participou como professora nos cursos ministrados.

Aos companheiros do EPW o dos Encontros Brasileiros, meu afeto e gratidão.

Afrânio de Matos Ferreira


Aos caros amigos

Denile e Membros da Comissão

XIII Encontro Winnicott

A Todos

A proposta desta carta deu-me a oportunidade de revisitar experiencias por mim vividas, algumas quase esquecidas. Agradeço-lhes.

Contudo, o prazer desta rememoração tornaram longa a trajetória que lhes descrevo. Assim, lhes peço que sintam-se a vontade para recortá-la na medida que for oportuno para nossos propósitos.

É isso…

Comecei minha vida acadêmica em Ciências Sociais, fiz minha formação na USP, mestrado na Unicamp e trabalhei como socióloga por um tempo. Contudo, o sentimento que tinha nesse ofício-que se acentuou com o tempo – era que tinha uma vara de pesca que só me permitia alcançar pequenos peixes.

Foi nesse momento que busquei a psicanálise e descobri não só um lugar onde poderia chegar mais fundo nas profundezas do mar, mas um lugar onde tb me sentia peixe… rs…rs. Tudo que ali vivia, sentia e ouvia fazia sentido. Uma musica familiar, antiga e que desconhecia. Hoje me faz pensar comovida da descrição de Winnicott do objeto subjetivo, no exemplo que dá ao encontrar a pedrinha na areia da praia.

A partir daí tudo correu muito rápido: fiz nova graduação em Psicologia, intensifiquei a frequência na análise, ingressei em um curso de formação de analista, passei a trabalhar em consultório e para me manter passei a dar aula de Sociologia em faculdades de Psicologia e vice-versa, aulas de Psicologia em cursos de Sociologia. Foi uma feliz experiência.

Iniciei meu percurso de formação na Sociedade de Psicanálise de SP e lá percorri as etapas de membro filiado, associado, efetivo e docente do Instituto de Formação. Faço parte como membro associado do Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae e do Espaço Potencial Winnicott de São Paulo.

Ao meio desse caminho recebi um convite para participar de uma reunião que se fazia aos sábados, uma vez por mês, coordenada por um psicanalista gaúcho. Foi quando conheci Outeiral e com ele seu amor por Winnicott. Deles não mais me separei. Encontrei no grupo e em Outeiral  o alimento que há tanto buscava para como pescadora me aproximar de peixes maiores no oceano da vida mental. Grande foi, e tem sido minha alegria e enorme minha gratidão.

Ao longo do meu trajeto de vir a ser psicanalista tive em Freud um amor. Fonte inesgotável e sempre renovada de reflexão e descobertas. O meu Winnicott entrou por essa porta. Ambos convivem em mim e constituem a psicanalista que sou e, mesmo que, por vezes divirjam se afastem as diferenças não impedem que se componham em mim, em minha clínica e em meu pensar.

Tenho escrito artigos em publicações da nossa área e sou autora em parceria  do livro “A Paciente, A analista e Dr. Green”.  Publico em breve o livro “As Mães que Fazem Mal e outros Ensaios”.

É isso…

Beijo

Silvia Lobo


Carta para Denile Thè e Comissão Organizadora

Querida Denile, tive muita sorte no meu percurso profissional. E a maior sorte que pode haver é a nossa profissão se tornar um lugar de alegria, cooperação, amor, intimidade. Ou seja, nossa profissão ficar misturada com o lugar da brincadeira, do prazer e das melhores amizades.

No final do ano de 1987, me formei em publicidade e propaganda. Eu já trabalhava há dois anos na área da criação como redatora publicitária.

Escolhi como tema para meu trabalho de conclusão “O processo Criativo”. Aí se iniciou uma ‘corrente’ cheia de contentamentos. Minha mãe, sendo psicóloga, tinha em casa as Obras de Freud, assim, pude pesquisar para além dos livros da área de comunicação.

Comecei a ler Freud “A Gradiva…”, “Escritores criativos…”, “Leonardo da Vinci…”. Estas leituras e os escritos e associações decorrentes me deixaram cheia de energia. Eu fiquei empolgadíssima. Freud era puro desafio intelectual para mim!

Adorei o resultado final do meu trabalho, mas, a esta altura, no meu íntimo, eu já tinha abandonado a Publicidade. Irremediavelmente.

Precisei, com uma urgência apaixonada, iniciar o curso de psicologia.

Ler Freud me tornava uma colega quase inconveniente nas aulas, eu sempre queria falar, tinha sempre um aparte, minha cabeça estava em looping.

Em 1989, iniciei uma importante jornada, dentro da jornada, iniciei meu estágio de psicopatologia na Comunidade Terapêutica D. W. Winnicott.

Lá tive o privilégio de conhecer Roberto Graña e José Outeiral. E com eles: Donald Winnicott.

Comecei as leituras, meus olhos, imagino, que brilhavam nos seminários, porque eu experimentava o tempo todo um sentimento de encantamento; logo, iniciei grupos de estudos para conhecer melhor o pensamento de Winnicott.

Foi algo totalmente diferente do que senti ao conhecer Freud. Freud me deixava frenética, com sinapses infinitas, numa maratona cerebral. Quando iniciei meus estudos de Winnicott, eu pensei algo como: ‘é… é isto…”

No ano seguinte à minha graduação, tive a sorte de participar de uma Jornada de Estudos sobre Sàndor Ferenczi. Justamente o ano em que eu me formei, 1993, foi apelidado de “o ano Ferenczi”. Descobri isto depois…

Conheci, então, Eliane Schuller Reis, e conheci Ferenczi da melhor forma possível. Ela não era estudiosa de Winnicott… mas, ao ouvi-la, eu ouvia Winnicott. Sem que ela me contasse, eu ouvia a história da psicanálise, ouvia os lamentos das histéricas desacreditadas de Freud, ouvia a luta de Ferenczi para que a Teoria do Trauma fosse retomada, ouvia Winnicott com suas crianças tristes, que carregavam dores que não eram suas, eu ouvia a emoção de Winnicott frente a elas.

Depois de ter contato com o pensamento de Ferenczi, eu estava condenada a escrever as possíveis relações entre suas contribuições e as contribuições de Winnicott. Nasceu um texto em co-autoria com minha querida amiga Adriana Sylla: “Ferenczi e Winnicott: da inquietação à transicionalidade”.

No mesmo ano, Outeiral organizou um grupo para se tornar a Comissão Organizadora do III Encontro Latinoamericano sobre o Pensamento de D. W. Winnicott.

Fui convidada a participar. Eu não tinha ideia do tamanho do que estava acontecendo, aquele encontro que reuniu mais de 400 pessoas, estava transformando a transmissão do pensamento de Winnicott numa grande tradição latinoamericana.

Nesta ocasião, apresentei o artigo “Ferenczi e Winnicott” como tema livre. Sorte de novo… Dr. Júlio de Mello se interessava por Ferenczi… viu o programa dos temas-livres e foi me assistir.

Foi incrível e assustador vê-lo entrando na sala e se acomodando na primeira fileira de cadeiras.

Ele me convidou para colaborar com seu livro em co-autoria com Anna Melgaço – que também acolheu com muito carinho este texto e, aliás, vem me acolhendo através dos anos -.

O que vem depois são coordenações de grupos de estudos sobre o Pensamento de Winnicott (desde 1996) e de Ferenczi (desde 1999), seminários em instituições, como professora convidada, cursos e participação nas organizações de Encontros sobre Winnicott. Nos anos de 2015 e 2016, ao lado de minha amiga e colega Stela Vieira dos Santos, coordenei o “Outras Palavras – clube do livro e do cinema”.

Tive a alegria de receber dois prêmios por artigos de psicanálise, em 1999, pelo CEAPIA e, em 2004, Prêmio Juan Sebastian Kern. Outeiral e eu, em 2009, recebemos um Prêmio da Accademia Internazionale Il Convívio, por Melhor Obra Teatral em Língua Portuguesa, em Messina, Itália – fomos muito atrevidos! -. O roteiro se intitula, “A Cabeça de Camille Claudel”.

Tenho artigos publicados em revistas e colaborações em livros. Entre eles: “Winnicott Seminários Cearenses”, “Winnicott Seminários Brasileiros”, “Caro Professor Freud”, “Estética Alimentar” e “Psicanálise de crianças e adolescentes”. Publiquei livros em co-autoria com José Outeiral (em alguns, outros colegas se somaram a nós); todas estas obras nasceram da generosidade e do talento de Outeiral. São elas: “Paixão e Criatividade”, “Breve Ensaio sobre a Maldade”, “Winnicott – Seminários Gaúchos”, “Adultecer”, “Amadurecer”.

Em 2012, veio também meu livro infantil, que me causa muita alegria, “Uma coisa bem pequena e sem nome”.

De alguns anos para cá, a ‘corrente’ tem me conduzido de volta para à Comunidade Terapêutica D. W. Winnicott. Tenho podido estar ao lado de duas amigas especiais, Adrianna Zucchi e Regina Onófrio, que foram minhas contemporâneas no estágio de psicopatologia e, hoje, são as Diretoras da Clínica, justamente, onde tudo começou.

Winnicott e Ferenczi têm me levado para lugares incríveis, para cidades do interior do RS e para cidades distantes, onde eu me sinto sempre pertencente… Vitória, Campo Grande, Rio de Janeiro, João Pessoa e Fortaleza, ahhh, Fortaleza!

Não sou membro de nenhuma instituição formal, sou membro fundador dos Seminários Winnicott Porto Alegre e sou Consultora Científica da Comunidade Terapêutica Winnicott. Estas duas atividades me permitem conviver com pessoas amadas, parceiras de grandes realizações e de ousadias criativas.

Apenas em 2012, em Fortaleza, eu entendi por que, apesar de parecer meio ‘desgarrada’, eu me sinto tão aconchegada. Nesta oportunidade, pude referir que os Encontros Winnicott são a minha casa, são a minha instituição, a melhor instituição a qual eu poderia pertencer… Os nossos Encontros são ambientes temporários, mas que sempre mantém uma continuidade, um ritmo, uma persistência, com doses corretas de novidades, com doses corretas de referências. Com o olhar dos mesmos amigos que vão se tornando, ano após ano, irmãos. Com o olhar curioso dos novos participantes que inevitavelmente irão de tornando amigos…

Obrigada Denile e Comissão Organizadora, obrigada Winnicott, obrigada Ferenczi, obrigada José Outeiral, obrigada Júlio de Mello, por me trazerem até aqui, novamente até Fortaleza!

Luiza Moura