Alicerçado na obra do Dr. Nahman Armony, o Mini-curso “O Homem Transicional: Neurose e Borderline” pretende trazer reflexões sobre os paradigmas sociais, dentre os quais se encontram os paradigmas psicanalíticos. Começando pelo paradigma moderno-vitoriano e seu correspondente paradigma da repressão, passando pelo paradigma pós-moderno com sua permissividade exacerbada, até chegar, com o apoio na obra de Winnicott, em reflexões sobre um possível paradigma ético, humanista. A concepção de Homem Transicional, conceito em formação, auxilia na compreensão e construção desse paradigma contemporâneo e visionário, além de fornecer embasamento para a atuação clínica.
Nahman Armony e Marcelo Armony

A psicologia e a teoria psicanalítica dedicaram-se intensamente à observação das etapas vitais: infância, adolescência e adultez jovem, desenvolvendo teorias e técnicas que embasaram as várias formas de psicoterapias para o tratamento dessas fases. Entretanto, nada criamos para os adultos maduros! Estes certamente têm características próprias, que devem ser reconhecidas e tratadas com competência e conhecimentos apropriados. Este curso tem o objetivo de dar conta dessa nova faixa etária, uma demanda populacional crescente e que ainda não é “vista”, sofrendo as consequências, talvez, do preconceito vigente.
A demanda de um gesto espontâneo dos adultos maduros que buscam tratamento não deve cair no vazio. Enseja pelo encontro da reciprocidade de psicoterapeutas e profissionais da saúde preparados para atendê-los em suas peculiaridades, sabedores que o gesto espontâneo não envelhece.
Adriana Mendonça e Denise Souza

“O silêncio dos espaços infinitos me apavora.”
(Pascal)

A partir da minha vivência com pacientes terminais, tanto em internações hospitalares, quanto em suas residências, convido a todos para refletirmos juntos de como lidar com esse grande mistério para toda a humanidade, a morte.
Bem sabemos que em nossa prática clínica, a morte se faz presente. Seja no sentido figurado e/ou no sentido simbólico. Convivemos com situações de luto diante de perdas. Convivemos com o morrer para renascer em função das mudanças inerentes ao desenvolvimento psíquico e emocional de nossos pacientes.
Nesse convite vamos refletir sobre a experiência da morte inexorável, isto é, quando se esgotaram todos os recursos da medicina para uma sobrevida. É, portanto, uma experiência radical que angustia a todos nós. É o inevitável em sua ampla totalidade. É um aprendizado real que nos acrescenta para o dia a dia de nossa clínica. Mas é, sobretudo, o que nos possibilita a tentar oferecer aos pacientes terminais uma passagem da vida para a morte com a menor dor e sofrimento possíveis.
Nessa hora, a tão necessária confiabilidade no “holding” implica na convivência, ao mesmo tempo, de amor e dor. “Você desagua em mim e eu, oceano. Esqueço que amar é quase uma dor” (Djavan).
José Guedes